BB lucra R$ 5,7 bi no 4T25: queda anual, mas acima do esperado


Quando Banco do Brasil (BBAS3) divulgou seus números na noite de quarta-feira, 11 de 2026, o mercado financeiro prendeu a respiração. O resultado? Um lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre de 2025. Parece pouco se compararmos com os R$ 9,59 bilhões do ano anterior — uma queda brutal de 40%. Mas aqui está a virada: analistas esperavam apenas R$ 4,5 bilhões. O banco não só superou as expectativas como quebrou uma sequência de 16 trimestres consecutivos de crescimento anual.

A notícia chegou em um momento delicado. Investidores estavam nervosos com a deterioração da inadimplência, especialmente no setor de agronegócio, que já havia pressionado os resultados do primeiro trimestre de 2026. Então, ver esse desempenho relativo no 4T25 foi visto por muitos como um sinal de estabilização, ainda que frágil.

O lado bom e o lado feio dos números

Vamos separar o joio do trigo. De um lado, temos a margem financeira bruta. No trimestre, ela atingiu R$ 27,8 bilhões, subindo 5,4% em relação ao terceiro trimestre e 3,8% em base anual. Isso não foi sorte; foi estratégia. O banco apostou pesado no crédito para pessoas físicas, diversificando seu mix de produtos e ganhando força com o Crédito do Trabalhador. É uma aposta inteligente em tempos de juros altos: quem tem renda fixa busca rendimento, e quem precisa de dinheiro busca crédito pessoal.

Do outro lado, porém, há uma nuvem escura: o custo de crédito. Ele disparou 93,9%, chegando a R$ 18 bilhões no trimestre. Sim, quase dobrou. As provisões para perdas esperadas também saltaram 86,9%, totalizando R$ 19,036 bilhões. Em termos simples, o banco teve que reservar muito mais dinheiro para cobrir empréstimos que provavelmente não serão pagos. A receita de serviços caiu 3,9% e as rendas do mercado de capitais despencaram 21% em um ano.

O Retorno sobre Patrimônio Líquido (ROE), indicador chave de eficiência, fechou o trimestre em 12,4%. Foi uma queda de 8,4 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado, mas houve uma melhora significativa de 4 pontos em relação ao trimestre anterior. Ou seja, a tendência recente é de recuperação, embora partindo de uma base comprometida.

Liderança aposta em inflexão e crescimento futuro

Tarciana Medeiros, presidente do Banco do Brasil, não deixou dúvidas sobre a leitura da gestão. "Nosso guidance mostra isso e nossos resultados indicam que estamos dando os sinais da inflexão", afirmou ela, destacando o crescimento de 51,7% do lucro em relação ao trimestre anterior. Para Medeiros, o banco está saindo do fundo do poço operacional.

Giovanne Tobias, CFO do Banco do Brasil, olhou para o horizonte de 2026. Sua expectativa é ambiciosa: crescimento entre 10% e 15% nos ganhos anuais. O banco revisou suas projeções para o próximo ano, estimando um lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões.

As metas detalhadas para 2026 incluem:

  • Carteria de Crédito geral crescendo entre 0,5% e 4,5%;
  • Pessoas Físicas liderando com crescimento de 6% a 10%;
  • Empresas e Agronegócios com expansão modesta ou contração leve (-3% a 1% e -2% a 2%, respectivamente);
  • Margem Financeira Bruta subindo entre 4% e 8%;
  • Custo de Crédito estimado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões.

O fantasma da inadimplência no agronegócio

Por que tanta cautela nas projeções, mesmo com o bom 4T25? A resposta está no primeiro trimestre de 2026. Nesse período, o Banco do Brasil registrou um lucro líquido ajustado de apenas R$ 3,4 bilhões, uma queda devastadora de 53,5% em um ano. Esse resultado levou o próprio banco a revisar para baixo sua projeção de lucro anual e aumentar a estimativa de custo de crédito.

O vilão identificado foi a piora da inadimplência, concentrada na carteira do agronegócio. Embora o setor agrícola tenha tido boas safras nos últimos anos, fatores climáticos adversos e volatilidade nos preços das commodities pressionaram o bolso do produtor rural. O BB, sendo o principal financiador do campo no Brasil, sente essa dor diretamente no bolso.

Especialistas da XP Inc., uma das maiores corretoras do país, notaram que, apesar do lucro do 4T25 ter vindo substancialmente acima do consenso, a qualidade do resultado permanece fragilizada. "É uma recuperação comparada às estimativas anteriores, mas não devemos ignorar os riscos estruturais", comentaram analistas da instituição.

Contexto histórico e desafios à frente

Em 2025 completo, o lucro líquido ajustado do BB totalizou R$ 20,7 bilhões, dentro da meta anunciada anteriormente (R$ 18 a R$ 21 bilhões), mas representando uma queda de 45,4% em relação a 2024. Foi um ano de ajuste de contas após os recordes de lucratividade dos anos anteriores, impulsionados pelo ciclo de juros altos.

Agora, o desafio é manter a trajetória de inflexão prometida por Tarciana Medeiros. O banco precisa equilibrar o crescimento do crédito para pessoas físicas — que parece ser o motor atual — com a contenção das perdas no agronegócio e no crédito corporativo. Além disso, a concorrência no varejo bancário segue acirrada, com bancos privados oferecendo taxas agressivas para atrair clientes de maior renda.

O que fica claro é que o Banco do Brasil não está imune aos ventos contrários da economia brasileira. Mas, ao superar as expectativas no trimestre crucial de encerramento de ano, a instituição enviou um sinal importante aos investidores: a pior fase pode ter passado, mas a caminhada até a estabilidade plena ainda exige atenção redobrada.

Frequently Asked Questions

Por que o lucro do Banco do Brasil caiu 40% no 4T25 se superou as expectativas?

A queda de 40% ocorre porque o ano anterior (2024) teve lucros excepcionalmente altos devido ao ciclo de juros elevados. As expectativas do mercado já incorporavam uma queda significativa, projetando apenas R$ 4,5 bilhões. Ao entregar R$ 5,7 bilhões, o banco surpreendeu positivamente, mostrando resiliência apesar da redução absoluta.

Qual o impacto da inadimplência no agronegócio nos resultados do BB?

O aumento da inadimplência no agronegócio foi o principal fator que pressionou os custos de crédito, fazendo-os subir 93,9% no trimestre. Isso forçou o banco a criar maiores provisões para perdas, reduzindo o lucro líquido. No primeiro trimestre de 2026, esse efeito foi tão forte que causou uma queda de 53,5% no lucro, levando a revisões pessimistas nas projeções anuais.

O que significa o crescimento de 51,7% mencionado pela presidente Tarciana Medeiros?

Esse número refere-se à comparação trimestral (quarter-over-quarter), ou seja, o lucro do 4T25 versus o 3T25. Enquanto a comparação anual mostra queda, a comparação interna recente indica uma tendência de recuperação e aceleração dos resultados ao longo dos últimos meses, justificando a fala sobre "sinais de inflexão".

Quais são as principais fontes de receita do Banco do Brasil atualmente?

A margem financeira bruta é a principal fonte, impulsionada principalmente pelo crédito para pessoas físicas. O banco tem focado na diversificação do mix de produtos, incluindo o Crédito do Trabalhador. No entanto, receitas de serviços e rendas do mercado de capitais têm apresentado declínio, indicando uma concentração maior na atividade de empréstimos tradicionais.

Como as projeções para 2026 refletem a situação atual do banco?

As projeções de R$ 22 a R$ 26 bilhões em lucro para 2026 sugerem uma recuperação gradual, mas cautelosa. O CFO Giovanne Tobias espera crescimento de 10% a 15%, mas as metas de crescimento da carteira de crédito são conservadoras, especialmente para empresas e agronegócio, refletindo a necessidade de controlar riscos e inadimplência antes de expandir agressivamente.