Série D: Santa Cruz avança às quartas com Rokenedy pegando três pênaltis em Teresina


Três defesas em uma noite eliminatória fora de casa. Foi assim que Rokenedy virou o protagonista do jogo que colocou o Santa Cruz nas quartas de final da Série D. Depois de um 0 a 0 sofrido no Lindolfo Monteiro, o Lindolfinho, em Teresina, o goleiro pegou três cobranças na disputa por pênaltis e selou a vitória por 3 a 1 sobre o Altos-PI, neste domingo, 24 de agosto. Somando ao 1 a 1 do jogo de ida no Recife, o Tricolor carimbou a classificação e manteve vivo o plano de voltar ao cenário nacional com força.

O roteiro foi de mata-mata raiz: muita tensão, poucas brechas e goleiro decisivo. O Altos tentou acelerar no primeiro tempo, explorando a bola aérea e o corredor direito. Em uma das melhores chegadas, Negueba cruzou na medida e Sales testou com perigo. Mais tarde, Júnior Mandacaru apareceu duas vezes na área, exigindo atenção redobrada da defesa coral. Do outro lado, o time pernambucano foi econômico nas chances, mas sólido na ocupação de espaço e sem se expor ao erro que costuma custar caro em jogo eliminatório.

Rokenedy, que já tinha feito intervenções importantes no tempo normal, guardou o melhor para os pênaltis. Na série decisiva, ele defendeu as cobranças de Esquerdinha, Jonathan e Leandro Amorim. A frieza do Santa Cruz completou o serviço: Renato, Soares e Geovany converteram, e a equipe fechou a disputa em 3 a 1. O Altos ainda marcou uma vez, mas não foi suficiente para levar a decisão às cobranças alternadas.

O placar sem gols em Teresina traduz o tipo de jogo que se viu: marcação adiantada por momentos, muita disputa por segunda bola e poucas finalizações limpas. O Altos tentou empurrar o adversário com pressão no início de cada tempo, enquanto o Santa Cruz administrou a posse e cortou linhas de passe, especialmente depois da metade da etapa final, quando a partida ficou mais truncada. Sem espaços, a decisão por pênaltis parecia questão de tempo.

Para a torcida coral, o desfecho teve sabor de alívio e afirmação. Não foi uma exibição de brilho ofensivo, mas foi um recado de maturidade em jogo grande. Em mata-mata, controlar o erro vale tanto quanto criar volume. E quando tudo afunila para a marca da cal, a diferença costuma estar no goleiro. Rokenedy entregou essa diferença.

O jogo e os pênaltis

O Altos apostou na dinâmica pelos lados para abrir o placar. Negueba foi a válvula de escape com cruzamentos para trás e bolas esticadas. Numa dessas, Sales apareceu entre os zagueiros e quase desviou para dentro. Mandacaru também teve duas chances em bolas levantadas, uma delas exigindo boa leitura de Rokenedy para fechar o ângulo. O Santa Cruz respondeu pontualmente, com tentativas de infiltração e chutes de média distância, mas encontrou uma área congestionada.

No segundo tempo, o risco calculado passou a guiar as duas equipes. Qualquer erro poderia ser fatal. O Tricolor de Pernambuco compactou as linhas, venceu mais duelos pelo alto e administrou o relógio. O Altos manteve o ímpeto, mas perdeu intensidade na última bola. Sem grandes defesas nos 90 minutos finais, o capítulo derradeiro ficou para a marca dos 11 metros.

Na disputa, pesou a leitura do goleiro e a execução de quem bateu. Rokenedy acertou o canto em três cobranças e se impôs com tempo de reação curto. Do lado coral, as batidas foram firmes e bem colocadas: Renato abriu a série com segurança, Soares ampliou, e Geovany manteve o padrão para fechar a conta. A única conversão do Altos não mudou o cenário: a vaga tomou o caminho do Arruda.

O que vem pela frente

O adversário nas quartas será o América-RN. A ida está prevista para o Recife, e a volta em Natal. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) ainda vai oficializar datas e horários. É um confronto de camisas pesadas do Nordeste, com estádios cheios e clima de decisão. Vale mais do que uma semifinal: historicamente, os quatro vencedores das quartas de final da Série D conquistam o acesso e garantem presença na Série C do ano seguinte — no caso, 2026.

Esportivamente, o recado para o Santa Cruz é manter a consistência defensiva que apareceu no mata-mata contra o Altos e ajustar o terço final. O time mostrou alguns bons momentos de organização sem a bola, desligou cruzamentos perigosos na reta final e controlou melhor o ritmo quando precisou esfriar o jogo. Em contrapartida, transformar posse em chances claras será crucial contra o América-RN, adversário que costuma punir quem falha no último passe.

Fora de campo, o impacto é direto. O resultado em Teresina reacendeu o apoio da arquibancada e dá gás para uma semana de mobilização no Recife. Direção e comissão técnica devem detalhar logística, recuperar jogadores e administrar o emocional para outro ambiente de pressão no Nordeste. Do outro lado, o América-RN também chega com confiança, o que promete dois jogos intensos e decididos nos detalhes.

A classificação, do jeito que foi, fortalece algumas ideias: equipe competitiva, foco em execução e margem pequena para erro. Em noites de mata-mata, quando a chance não cai, é o goleiro que segura o time. Em Teresina, Rokenedy não só segurou. Ele empurrou o Santa Cruz para a próxima fase.

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