Vasco avança venda de SAF para grupo Lamacchia acima de R$ 2 bi


O movimento que pode transformar o cenário do futebol brasileiro já tem esboço definido: Vasco da Gama e um grupo liderado por Marcos Faria Lamacchia adiantaram negociações para a compra da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do clube cruzmaltino por um valor superior a R$ 2 bilhões. Não se trata apenas de uma transferência de patrimônio, mas de uma operação complexa que envolve dívida antiga e novas regras de fair play financeiro. O acordo prevê a aquisição de 90% do capital social, deixando a governança do clube em mãos de quem promete investimentos robustos, mas também precisa vencer burocracias rigorosas.

A conversa entre as partes aconteceu nesta semana, resultando em um pré-acordo estruturado. Os detalhes financeiros são sensíveis, pois envolvem o assunção total das dívidas do clube pelo investidor, incluindo passivos trabalhistas e civis. Para muitos torcedores, o alívio é imediato; para os reguladores, o desafio só começa agora. O ponto central de atenção, claro, é a origem dos investidores e suas conexões no meio-fim do mercado de clubes.

O Caminho das Negociações e Dívidas Pendentes

Pedrinho, atual presidente do Vasco, demonstrou confiança pública sobre o fechamento da transação ainda em 2026, durante uma entrevista na sede da Confederação Brasileira de Futebol. Ele enfatizou que o clube confia que o novo controlador fará investimentos além do mínimo obrigatório. A estrutura do negócio inclui três pilares fundamentais: assumir toda a dívida existente, cumprir exigências de investimento competitivo e atender aos requisitos de caixa.

Além dos números grandes, existem compromissos imediatos. No primeiro trimestre de 2026, o pagamento de até R$ 8 milhões deve ser concluído exclusivamente para credores civis e trabalhistas listados em recuperações judiciais. Sem contar que há programações agendadas nesta semana referentes a pagamentos de cerca de R$ 10 milhões relacionados a planos de convênio coletivo. O remanescente de 10% da SAF continua sob controle da A-CAP, derivado do espólio da empresa 777 Partners, e será incluído no pacote de vendas.

Impasse Regulatório e a Conexão Palmeiras

Aqui reside o grande obstáculo. Marcos Faria Lamacchia é filho de José Carlos Lamacchia, dono da Crefisa, e genro de Leila Pereira, que atualmente serve como presidente do Palmeiras. Essa proximidade aciona alertas nas regras atuais. Segundo o Artigo 86 do Sistema de Sustentabilidade Financeira (SSF), nenhuma pessoa física ou jurídica pode controlar mais de um clube diretamente ou indiretamente. Influência significativa é definida claramente como a capacidade de políticas direcionais ou vetos relevantes.

Para contornar essa barreira, representantes do grupo de Lamacchia fizeram contato preliminar com membros da ANRESF (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol). O objetivo é alinhar a estrutura empresarial antes da efetivação da venda. Uma solução discutida seria o uso de um "blind trust" — um fundo onde os ativos são controlados sem que o beneficiário tenha influência direta. Isso funcionaria até dezembro de 2027, quando termina o mandato de Leila Pereira no alviverde. Caio Resende, presidente da agência, já afirmou que haverá análise rigorosa de qualquer mudança societária.

Impacto Financeiro e Próximos Passos

Impacto Financeiro e Próximos Passos

A aprovação desse negócio exige uma dança delicada entre vontade do mercado e rigidez regulatória. Se aprovado, o clube terá sua dívida absorvida, o que é raro no cenário nacional. As negociações precisarem passar pelos conselhos internos do Vasco: Conselho Benemérito, Deliberativo e outros poderes antes de vir público oficial. Até então, silêncio absoluto prevalece. A ANRESF analisará se a estrutura proposta viola o espírito da lei de sustentabilidade.

  • Sua validade depende da conformidade com o SSF.
  • A alteração acionária deve ser reportada em até 30 dias.
  • O prazo estimado para conclusão da negociação é 2026.
Perguntas Frequentes Sobre a Venda da SAF

Perguntas Frequentes Sobre a Venda da SAF

Quanto vale a transação estimada entre Vasco e Lamacchia?

O pré-acordo já estruturado aponta para valores superiores a R$ 2 bilhões. Esse montante considera a aquisição de 90% da SAF e a absorção de passivos existentes, representando um dos maiores movimentos de negócios no futebol brasileiro recente.

Qual é o problema com a ANRESF nessa venda?

A ligação familiar de Marcos Lamacchia com Leila Pereira, presidente do Palmeiras, fere regras antitruste. Ela impede que a mesma pessoa influencie dois clubes simultaneamente. Soluções como "blind trusts" temporárias estão sendo estudadas para garantir conformidade legal.

Quando o Vasco deve finalizar a negociação?

Pedrinho, presidente do Vasco, indicou publicamente expectativa de conclusão em 2026. O processo depende da aprovação dos conselhos internos do clube e da liberação final pela agência reguladora responsável pelo fair play financeiro.

A SAF do Vasco já tem dono parcial diferente hoje?

Sim, 10% da SAF está controlada pela A-CAP, vindo do espólio da 777 Partners. Essa parte restante entra no pacote de venda junto com o bloco majoritário que será transferido ao grupo Lamacchia.

O que acontece se a ANRESF negar o acordo?

Se a agência concluir que há violação grave de fair play, a venda poderá ser barrada. Por isso, reuniões técnicas prévias foram agendadas para ajustar a estrutura societária antes da assinatura definitiva dos contratos.